Diferenciando ataque de pânico de infarto

Imagine que você está em casa ou no trabalho e de repente começa a sentir dificuldade para respirar, o coração dispara e as mãos tremem como se algo muito ruim fosse acontecer. Será que está tendo um infarto? Ou será um ataque de pânico?

O infarto e o ataque de pânico (ou síndrome de pânico) apresentam alguns sintomas semelhantes, de modo que inicialmente pode ser difícil distinguir uma condição da outra. Neste post, vou apresentar algumas considerações para te ajudar a identificar um ataque de pânico e exigir atendimento médico adequado quando precisar de ajuda.

Primeiramente, vamos conhecer ambas as condições:

Infarto é o nome que se dá quando há a interrupção do fluxo de sangue para o coração. Veja no esquema abaixo:

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Ao sentir os sintomas descritos nas imagem, principalmente se forem intensos, procure por socorro médico imediato.

Já o ataque de pânico, conforme já expliquei aqui na página de transtornos e tratamentos psicológicos, surge  quando a pessoa é inesperadamente acometida por intensa ansiedade e/ou medo. Alguns sintomas são dificuldades para respirar, coração acelerado, intenso medo de morrer ou de perder o controle. Veja na explicação abaixo:

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O ataque de pânico é uma síndrome psiquiátrica, que, embora não apresente risco de morte imediata, traz prejuízos significativos à vida do paciente. O infarto é uma doença cardiovascular que coloca a vida do paciente em risco iminente de morte.

Feita a conceituação, reparou que alguns sintomas do infarto são os mesmos do ataque de pânico? Principalmente estes: dificuldades para respirar, tontura, suor e ansiedade.

Durante a ocorrência do infarto ou do ataque de pânico, pode ser difícil diferenciar uma condição de outra, então, procure por socorro médico imediato. Principalmente se:

  • Os sintomas apareceram pela primeira vez
  • Você tem fatores de risco (diabetes, histórico familiar de doenças cardiovasculares, fumo, hipertensão, má alimentação e sedentarismo).

Nos casos de infarto, os sintomas podem se estender para outras partes do corpo, como dor no peito, no braço esquerdo, costas, mandíbula e estômago. No ataque do pânico, essas partes do corpo não apresentam dores.

Por fim, se já teve estes sintomas (ansiedade extrema, dificuldades para respirar, coração acelerado e etc.) outras vezes e nenhuma causa física foi encontrada, pode ser síndrome do pânico. Procure por avaliação psicológica e médica.

Peculiaridades do diagnóstico

O erro da unidade de saúde

Muitos pacientes com síndrome do pânico chegam a mim relatando que procuraram por socorro médico após sentirem os sintomas acima, mas o profissional que os atendeu  disse que “não era nada”. E assim saíram do hospital do mesmo jeito que chegaram. Isso não pode acontecer! Seja infarto ou ataque de pânico, o paciente tem que sair da unidade de saúde melhor do que chegou ou, no mínimo, encaminhado para atendimento especializado em outra unidade.

Não saia da unidade sem se sentir melhor, estar medicado e orientado sobre o que ocasionou os sintomas. Se for um infarto, pode ser que seja tarde demais para voltar ao hospital. Se for um ataque de pânico, a demora em realizar o diagnóstico correto pode prolongar um sofrimento desnecessário.

O erro do paciente

Por outro lado, alguns colegas médicos, me dizem que diversos pacientes com síndrome do pânico negam sua condição mesmo após repetirem diversos exames e se consultarem com vários médicos especialistas. Estes pacientes se recusam a se consultar com psiquiatra ou psicólogo, afirmando que seus sintomas não são “inventados” ou “psicológicos”.

Se isso ocorre com você ou com algum conhecido, sabia que não ignoramos sua preocupação. Sabemos pela prática clínica que os pacientes realmente sentem aquilo que dizem, mesmo quando os exames laboratoriais não encontram nenhuma anormalidade física.

É necessário esclarecer que não existe uma separação rígida entre mente e corpo, mas existe sim, uma influência recíproca. Deste modo, quando ficamos felizes, rimos; quando ficamos tristes, choramos; quando ficamos ansiosos, o coração bate rápido (independentemente do motivo da ansiedade).

Ter síndrome do pânico não é menos pior do que ter um infarto, e, embora este último precise de cuidados mais urgentes, ambas as condições precisam de cuidados a curto e a longo prazo. Cuide-se e exija seu direito de ser bem cuidado!

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