Transtorno Afetivo Bipolar

O Transtorno Bipolar é classificado no DSM-5 como uma ponte entre o espectro da esquizofrenia e os transtornos depressivos, compartilhando características de ambos em termos de sintomas e genética. A diferenciação entre o Tipo I e o Tipo II baseia-se fundamentalmente na gravidade e na duração dos episódios de elevação do humor (mania ou hipomania).

1. Transtorno Bipolar Tipo I

A característica central para o diagnóstico do Tipo I é a ocorrência de pelo menos um episódio maníaco ao longo da vida.

  • Episódio Maníaco: É um período de humor anormalmente elevado, expansivo ou irritável, com aumento persistente da energia, durando pelo menos uma semana.
  • Gravidade: A perturbação é grave o suficiente para causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional, necessitar de hospitalização para prevenir danos ou apresentar características psicóticas (como delírios ou alucinações).
  • Depressão: Embora a vasta maioria dos indivíduos com Tipo I também apresente episódios depressivos maiores, eles não são obrigatórios para o diagnóstico.

2. Transtorno Bipolar Tipo II

O diagnóstico do Tipo II requer que o indivíduo tenha apresentado pelo menos um episódio hipomaníaco E pelo menos um episódio depressivo maior.

  • Episódio Hipomaníaco: Dura no mínimo quatro dias consecutivos. Diferente da mania, a hipomania não é grave o suficiente para causar prejuízo acentuado no funcionamento ou exigir hospitalização.
  • Episódio Depressivo Maior: Exige pelo menos duas semanas de humor deprimido ou perda de interesse, acompanhado de outros sintomas (como alterações de sono, peso e fadiga). No Tipo II, os episódios depressivos tendem a ser mais duradouros e incapacitantes.
  • Exclusão Crucial: Se o indivíduo apresentar um único episódio maníaco em qualquer momento da vida, o diagnóstico passa a ser automaticamente Tipo I, e nunca mais Tipo II.

Importante: O Transtorno Bipolar Tipo II não é uma forma “mais leve” do Tipo I. Indivíduos com Tipo II sofrem uma carga severa devido à instabilidade do humor e, em média, passam muito mais tempo na fase depressiva, que pode ser grave e incapacitante.

Além desses, existe o Transtorno Ciclotímico, uma forma crônica e oscilante onde o indivíduo apresenta sintomas hipomaníacos e depressivos por pelo menos dois anos (um ano em jovens), mas que nunca atingem a intensidade total de um episódio de mania ou depressão maior.

Se após a leitura você acredita estar passando por esse transtorno, não faça o autodiagnóstico nem busque por terapias não confiáveis. Procure um profissional especializado (psicólogo clínico e/ou psiquiatra) para realização do diagnóstico correto e do tratamento mais adequado para o seu caso. Estou a sua disposição. Basta entrar em contato.

Bibliografia consultada

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2023.
NARDI, A. E.; SILVA, A. G. da; QUEVEDO, J. Tratado de psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2022.