Sobre flores, bombons, igualdade e independência: 08 de março – Dia Internacional da Mulher.
O caso que conto abaixo possui personagens reais (embora os nomes sejam fictícios) e foi baseado em diversos outros casos que atendi. Não conta a história de uma única mulher, mas de várias, que aqui as reuni sob o nome de Maria:
“Maria procura atendimento pois sente ansiedade, inquietação, insônia e ‘vontade de não fazer nada’. Os exames médicos são negativos, motivo pelo qual foi encaminhada à psicologia. No consultório, é admitida para atendimento após a anamnese (entrevista inicial). Durante as sessões, conta que é casada com João e possui dois filhos. Repetidas vezes faz reclamações referente ao seu casamento e ao modo como João lhe trata. Afirma que durante o namoro ele era ‘só elogios’! Agora, depois de muitos anos e algumas suspeitas de traição, ela acha que João não a ama mais. Diz: “A gente tem um casamento de conveniência”. E continua: “Eu nunca trabalhei e não tenho estudo. Sempre dediquei minha vida ao João e aos meus filhos. Mas agora que meus filhos estão criados, parece que não vale a pena ficar mais com o João. Ele é bom comigo, sustenta a casa e nunca encostou um dedo em mim. O que eu não gosto é que ele não se importa comigo. Não me deixa sair. Não apoia em nada que quero fazer. Se pudesse, eu sairia de casa”.
Infelizmente, histórias com a de Maria são muito frequentes. “E o final, como é? Ela se separa dele?”. Você deve estar se perguntando. Como falei, essa Maria representa várias outras mulheres que frequentaram o meu consultório e o consultório de outros psicólogos pelo Brasil. Bem, algumas Marias se separam; outras não. Algumas saem e são felizes; outras ficam e se acostumam com a “conveniência”. Logicamente que há aquelas que ficam e com o suporte da terapia conseguem ditar um rumo diferente e mais feliz para seu casamento.
Mulheres! Não aceitem flores e bombons se junto não vier amor e respeito

A despeito de flores e chocolates, nos séculos XIX e XX, muitas mulheres lutaram para garantir melhores condições de vida e trabalho. E foi com o suor e o sangue delas que hoje, você mulher, possui direitos que antes eram exclusivos dos homens (o voto, por exemplo). Todavia, até hoje (no século XXI), várias outras mulheres continuam lutando para conquistar outras condições de igualdade nesta sociedade ainda machista.
Hoje, nós homens, somos incentivados a presenteá-las e dizê-las o quão especial e importante vocês são. Não que isso seja inadequado, mas a felicidade que gostaria que experimentassem vai além de presentes e lembrancinhas.
Para algumas mulheres será óbvio o que vou dizer, mas para outras, talvez não seja. Não deixem que namorados, maridos e pais determinem o curso de suas vidas. Não permitam que lhe roubem a independência e a autonomia em nome de uma suposta moral social ou religiosa. Exijam condições de trabalho e remuneração digna com sua qualificação e denunciem qualquer forma de discriminação. Sejam felizes hoje, e no resto de suas vidas fazendo o que quiserem, onde, como, quando e com quem quiserem.
Bônus para os leitores XY:
Homens! Amor não é frescura, respeito não é opção, certidão de casamento não é escritura de propriedade
Respeite, promova e apoie a autonomia e independência de sua namorada ou esposa. Nenhum relacionamento termina porque a mulher começou a trabalhar. Termina, sim, porque não há companheirismo, apoio e cumplicidade entre o casal.
E, se você é daquele tipo que acha frescura esse negócio de feminismo, pense bem! Se nossa sociedade fosse realmente igualitária, textos como este seriam absolutamente desnecessários e muitas clínicas, hospitais e delegacias de defesa da mulher estariam vazias.
As mulheres não precisam de nós para lhes ofertar “felicidades”: Trabalhemos juntos por uma sociedade mais justa e com as mesmas condições de trabalho, remuneração e respeito, e elas serão felizes por si mesmas. E assim, seremos felizes juntos!
Leitura recomendada:
Resolvendo sem stress as pequenas chateações do casamento: o relato da escritora Amy Sutherland