Se o aluno não aprende, é problema de atenção?

Há alguns dias, voltando do trabalho, uma mãe parou-me e disse-me que a professora havia solicitado que ela levasse o filho ao neurologista. Ela queria saber se eu achava que era importante fazer a consulta. A professora e a mãe acreditavam que a incapacidade da criança acompanhar a turma poderia estar de alguma forma ligada a algum déficit neurológico. “Suspeitavam” que pudesse ser um “déficit de atenção”. Como não atendo a criança e não podendo ter como fidedigno aquele relato casual, fiz uma recomendação padrão: que levasse ao médico clínico geral e que apresentasse a ele as queixas que te tivesse. Caberia a ele, caso visse a necessidade, encaminhar o caso para o especialista (seja neurologista, psicólogo, psiquiatra, pediatra etc.).

Após esta conversa, fiquei pensando como elas suspeitaram logo de um déficit de atenção e não de outros processos que estão diretamente envolvidos na aprendizagem. É compreensível que sejam leigas no assunto, mas para informar outras pessoas, resolvi escrever este post sobre processos psicológicos que influenciam a memorização de informações. Baseei-me nos tópicos apresentados por Dalgallarrondo (2008). A explicação aplica-se a qualquer pessoa que esteja aprendendo algo, seja na escola, na faculdade e/ou no trabalho. Continuar lendo

“A vida não é justa, mas ainda é boa”: as lições de vida de Regina Brett

Há algum tempo, procurando um e-mail antigo, deparei-me com um texto com supostas lições de vida de uma quase centenária senhora. Embora a informação da autoria estivesse errada (a autora na verdade é uma jornalista americana à época com 50 anos), as lições eram interessantes e pareciam mesmo ser uma compreensão sobre fatos da vida.

Quem nunca passou por algo e depois extraiu uma aprendizado? E não é melhor ainda quando seguimos um conselho e evitamos que algo ruim aconteça? Quando aprendemos com os comportamentos dos outros chamamos isso de “aprendizagem social”. Portanto, apresento aqui as lições de vida citadas esperando que possa comparar, concordar, discordar e assim refletir sobre suas próprias lições, afinal: ninguém é tão ruim que não possa ensinar e nem tão bom que não possa aprender. Continuar lendo

Digitar ou escrever à mão? Para memorizar e aprender, escrever à mão é melhor do que digitar

A despeito das inegáveis contribuições do computador para realização de trabalhos e pesquisas acadêmicas, para aprender (processar, memorizar e recuperar informação), escrever à mão é melhor do que digitar. Já falei sobre este assunto em outro texto, no qual dei orientações sobre como aprender mais, estudando menos. Neste texto, faço algumas considerações sobre uma pesquisa cujas conclusões suportam as evidências sobre o benefício da escrita à mão. Continuar lendo

Volta às aulas: Não mande seu filho estudar para a prova

As aulas estão voltando e daqui a pouco alguns pais começam a proferir as seguintes falas: “Menina! Vai estudar que amanhã você tem prova!”. “Menino! Desliga isso que você está na semana de provas!”. Quem nunca ouviu ou falou isso? Na boa intenção, muitos pais acabam cometendo esse erro. “Erro? Como assim meu filho não deve estudar para a prova?”. É isso mesmo! Mas calma, que você já vai entender o porquê.

O objetivo deste post é te auxiliar a tornar seu filho um estudante (alguém que aprende e não esquece) e não apenas um aluno (quem apenas assiste às aulas e tira boas notas).

Boas notas garantem um histórico escolar bonitinho. Boas notas e inteligência garantem um vaga na universidade e no mercado de trabalho. “Ah! Mas não é preciso ser inteligente para tirar boas notas?” Não necessariamente.  Continuar lendo

“Esse ano eu…”: Como elaborar e cumprir promessas de ano novo

Todo final de ano, quase todos nós, fazemos as conhecidas “Promessas (ou resoluções) de ano novo”. Que são basicamente planos que queremos realizar no ano seguinte, mas que nem sempre conseguimos cumprir.

Algumas promessas geralmente feitas são: emagrecer, deixar de fumar, conseguir ou mudar de trabalho, passar em algum concurso, ser aprovado no vestibular, arrumar a vida financeira, aprender algo novo, passar mais tempo com a família etc. No início tudo começa bem, mas às vezes, na segunda semana do ano já esquecemos estas promessas.

Por que isso acontece? Existem situações inesperadas na vida (falecimento de um ente querido, mudança de emprego etc.), mas na maioria da vezes é simplesmente porque você faz a promessa sob o controle de uma situação que ao longo do ano não se mantém. Assim, promete emagrecer quando se sente gorda; economizar quando está sem dinheiro e mudar de trabalho quando briga com o chefe. Quando essas situações passam, você se desmotiva.

Este texto tem o objetivo de te ajudar a fazer promessas de ano novo mais prováveis de serem alcançadas, assim como te manter motivado(a) no caminho para alcançá-las. Continuar lendo