Se o aluno não aprende, é problema de atenção?

Há alguns dias, voltando do trabalho, uma mãe parou-me e disse-me que a professora havia solicitado que ela levasse o filho ao neurologista. Ela queria saber se eu achava que era importante fazer a consulta. A professora e a mãe acreditavam que a incapacidade da criança acompanhar a turma poderia estar de alguma forma ligada a algum déficit neurológico. “Suspeitavam” que pudesse ser um “déficit de atenção”. Como não atendo a criança e não podendo ter como fidedigno aquele relato casual, fiz uma recomendação padrão: que levasse ao médico clínico geral e que apresentasse a ele as queixas que te tivesse. Caberia a ele, caso visse a necessidade, encaminhar o caso para o especialista (seja neurologista, psicólogo, psiquiatra, pediatra etc.).

Após esta conversa, fiquei pensando como elas suspeitaram logo de um déficit de atenção e não de outros processos que estão diretamente envolvidos na aprendizagem. É compreensível que sejam leigas no assunto, mas para informar outras pessoas, resolvi escrever este post sobre processos psicológicos que influenciam a memorização de informações. Baseei-me nos tópicos apresentados por Dalgallarrondo (2008). A explicação aplica-se a qualquer pessoa que esteja aprendendo algo, seja na escola, na faculdade e/ou no trabalho. Continuar lendo

Digitar ou escrever à mão? Para memorizar e aprender, escrever à mão é melhor do que digitar

A despeito das inegáveis contribuições do computador para realização de trabalhos e pesquisas acadêmicas, para aprender (processar, memorizar e recuperar informação), escrever à mão é melhor do que digitar. Já falei sobre este assunto em outro texto, no qual dei orientações sobre como aprender mais, estudando menos. Neste texto, faço algumas considerações sobre uma pesquisa cujas conclusões suportam as evidências sobre o benefício da escrita à mão. Continuar lendo