Violência Pelo Parceiro Íntimo: Identificação e Prevenção

Este texto é oriundo de palestras que fiz sobre Violência pelo Parceiro Íntimo (VPI). É uma síntese do assunto discutido, e discorre sobre relações violentas em relacionamentos íntimos (namoros, casamentos etc). Enfatizei as agressões contra a mulher pois a teoria e a prática mostram que elas são as maiores vítimas destes relacionamentos. 

Violência pelo Parceiro Íntimo (VPI) são atos de violência física, psicológica ou sexual provocados por atual ou ex-parceiro(a) (namorados(as), maridos e esposas etc).

A cada 4 minutos uma mulher é violentada em sua própria casa, e 90% dos casos de violência contra a mulher são cometidos por pessoas de seu convívio. Mais de 40% das agressões resultam em lesões corporais graves ou morte.

A população brasileira é de 207 milhões, sendo que a população feminina no Brasil é de 100,5 milhões. Calcula-se que 34,17 milhões de brasileiras (34%) encontram-se em situação de violência. Considera-se que esta porcentagem pode ser maior, pois acredita-se que vários casos não são atendidos e/ou registrados.

Listo abaixo alguns sinais de alerta sobre a possível ocorrência de sinais de violência:

SINAIS

  • Ofensas e brigas frequentes;
  • Proibir o contato com amigos e parentes;
  • Agressão física, psicológica, moral ou patrimonial;
  • Ameaças;
  • Chantagens;
  • Controlar o comportamento (onde, quando e com quem conversa, sai etc);
  • Violência sexual (forçar o ato, tirar fotos sem autorização, stealthing, etc);
  • Humilhar na presença de amigos e parentes;
  • Não permitir que você discuta a relação;
  • Prometer mudanças e não mudar.

Como demonstra a figura abaixo, a VPI tem grande impacto sobre a saúde da mulher:

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É importante mencionar também a Lei Maria da Penha (11.340/2006), a qual criminaliza a violência doméstica e familiar contra a mulher, seja por ação ou omissão de ato que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

Se alguns desses comportamentos mencionados acima estiver acontecendo com você, busque apoio com amigos e familiares, afasta-se do(a) parceiro(a) e procure ajuda (médica, psicológica, policial e/ou jurídica). Possíveis locais para atendimento: Conselho Tutelar (se adolescente), Delegacia da Mulher, Unidades de Saúde, CRAS, CREAS etc.

A Violência Pelo Parceiro íntimo pode ser evitada. Sugiro abaixo algumas orientações para evitar a ocorrência:

 COMO EVITAR

  • Não ignorar sinais que mostrem tendências violentas e/ou controladoras;
  • Estabelecer relações de amizade e respeito com o parceiro(a);
  • Ser independente (ter uma profissão, um trabalho);
  • Não se engajar apressadamente em nenhum tipo de relacionamento;
  • Manter boas relações com amigos e familiares;
  • Reconhecer o ciúme excessivo.

Toda relação deve ter como pilares fundamentais o respeito, a comunicação e a amizade. São sobre esses pilares que o amor nasce e continua a existir. Sem eles, nenhum relacionamento saudável é possível.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

NETTO, L. A; MOURA, M. A. V; Queiroz, A. B. A; LEITE, F. M. C; SILVA, G. F. Isolamento de mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo: uma condição em redes sociais. Esc Anna Nery, 21 (1) 2017. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ean/v21n1/1414-8145-ean-21-01-e20170007.pdf&gt;. Acesso em 14, ago. 2017.

ROSA, D. O. A. Violência pelo parceiro íntimo: prevalência e fatores associados em usuárias da atenção primária à saúde em região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Dissertação (Mestrado). Programa de PósGraduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência. Universidade Federal de Minas Gerais, 2013.

WORD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Global and regional estimates of violence against women: prevalence and health effects of intimate partner violence and non-partner sexual violence. Disponível em: < http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/85239/1/9789241564625_eng.pdf&gt;. Acesso em: 14, ago. 2017.

2 comentários sobre “Violência Pelo Parceiro Íntimo: Identificação e Prevenção

  1. Avatar de Rhilker Junio Rhilker Junio 31 ago 2017 / 18:20

    Caro amigo,

    Primeiramente gostaria de parabenizar pela capacidade com a qual trata a temática, é importante enfatizar e dar visibilidade a violência contra a mulher bem como outras “minorias”.

    Todo o ano de 2015 atuei no atendimento a mulher em situação de violência doméstica e familiar e foi uma das experiências mais desafiadoras e ao mesmo tempo emancipatória, pois no cotidiano pude aprender e aperfeiçoar a práxis profissional e também me tornar uma pessoa melhor. Enquanto homem eu me reconheci enquanto violador e pude quebrar paradigmas que me acompanhavam durante toda a minha trajetória de vida.

    Parabéns e sucesso!

    Forte abraço.

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    • Avatar de Tâmaro Chagas Psic.Tâmaro Chagas Mendes 4 set 2017 / 16:44

      Olá, Rhilker!

      Que experiência bacana! E comumente é assim mesmo que acontece: trabalhamos e aprendemos sobre nós e nossos preconceitos.

      Obrigado pela contribuição e sinta-se à vontade por aqui!

      Abraços!

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